Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff, e considerado uma das pessoas com quem a presidente busca conselhos políticos, concedeu entrevista ao portal “Sul 21”, onde avaliou a atual conjuntura política.

Araújo reproduziu o discurso que vem sendo utilizado pelo governo, o PT e a esquerda. Ou seja, que a situação política atual tem 2018 como referência, onde as chamadas “forças conservadoras” querem impedir uma nova vitória do ex-presidente Lula.

A declaração do ex-marido de Dilma está dentro do objetivo de explorar a narrativa do chamado “nós contra eles”, tentando transformar Lula e o PT em vítimas.

Aliás, não é por acaso que Carlos Araújo diz que o PSDB “atua como um partido ligado a esse projeto conservador”. Ele também acusa os tucanos de repetirem a frente clássica dos anos de 1932, 1954 e 1964. Para Araújo, essa postura das “elites brasileiras é tradicional, não representando nenhum novidade”.

Na entrevista, Carlos Araújo tenta passar uma mensagem positiva à militância de esquerda ao afirmar que não acredita que os conservadores consigam derrubar a presidente Dilma.

Porém, diz que na hipótese do impeachment acontecer, a unidade do campo conservador é praticamente impossível de ser mantida. Sobre isso, lembrou a dificuldade do PSDB em manter um mínimo de unidade interna.

A respeito da decisão do PMDB de romper com o governo Dilma, Araújo avaliou que se trata de uma “unidade esporádica”, pois acreditam que derrubando Dilma terão mais acesso a cargos num futuro governo Michel Temer. Porém, dadas as características do PMDB, Araújo disse que seus líderes estaduais são autônomos e os interesses particulares são muito fortes.

Outra avaliação interessante feita por Carlos Araújo diz respeito ao possível crescimento das mobilizações dos movimentos populares, que seria consequência da criação de “um profundo fosso social” causado pela eventual saída antecipada de Dilma Rousseff do poder.

No seu entendimento, esse “fosso social” seria mais profundo que ocorrido após o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas assim como pelo golpe militar contra João Goulart.

Embora seja um partido de oposição a Dilma, o PSDB não pode ser caracterizado como um partido conservador. Um exemplo disso é a dificuldade que os tucanos têm de se associar a pauta mais a direita que brota da sociedade civil dos grandes centros urbanos.

As análises mais interessantes de Araújo foi a dificuldade que o PMDB terá de unir as forças que se opõem a Dilma num eventual governo Temer, assim como o risco de os movimentos sociais, sobretudo aqueles controlados pelo PT, fazerem constantes mobilizações caso o Congresso aprove o impeachment da atual presidente.

De um modo geral, a análise de Carlos Araújo mostra a dificuldade que o PT e parte considerável da esquerda tem em avaliar corretamente a atual conjuntura. A narrativa do discurso do suposto “golpe”, assim como da estratégia em relacionar o cenário atual com o posicionamento das chamadas elites conservadoras em outras crises, não encontra ressonância na opinião pública.

Além de atualmente o PT se visto como o maior responsável pela crise política e econômica, o discurso da esquerda tradicional encontra, historicamente, dificuldades para ser absorvido por conta dos valores conservadores existentes em parcela considerável dos brasileiros. Aliás, não foi por acaso que para chegar ao poder, em 2002, Lula precisou moderar seu discurso.

Na opinião de Araújo, nota-se que a esquerda continua tendo dificuldades em entender a natureza da atual crise e como sair dela.

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