Ocorreu ontem (22) na TV Bandeirantes o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo (SP). Participaram do evento o atual prefeito Fernando Haddad (PT), o empresário João Doria Júnior (PSDB), os deputados federais Celso Russomanno (PRB) e Major Olímpio (SD), e a senadora Marta Suplicy (PMDB).

Também candidata, a deputada federal e ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL) ficou de fora, pois seu partido não possui representação mínima de nove deputados federais na Câmara.

No primeiro debate entre os candidatos foi possível perceber qual será a estratégia de cada um na disputa pela capital mais cobiçada do país.

Os postulantes ao cargo de prefeito focaram suas propostas em temas como saúde, educação e segurança, com ênfase especial no eleitorado de baixa renda e habitante das periferias de São Paulo.

Candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT) foi o principal alvo de seus adversários. Em resposta aos “ataques” que sofreu, Haddad prestou contas de sua administração. O prefeito também rebateu os ataques de seus concorrentes, principalmente de João Doria Júnior (PSDB). A estratégia traçada por Haddad foi tentar relacionar Doria como um “candidato elitista e anti-povo”.

João Doria Júnior, por sua vez, procurou se posicionar como o representante do anti-petismo. Não foi por acaso que partiu para o ataque contra o PT, lembrando os escândalos de corrupção nos governos Lula e Dilma, assim como o aumento de impostos ocorrido durante a gestão de Marta Suplicy, na época filiada ao PT, como prefeita de São Paulo. Doria também defendeu a introdução de mecanismos da iniciativa privada na gestão pública.

Ao atacar o PT, Doria sinaliza ao eleitor de centro-direita que pretende ser a alternativa não apenas a Fernando Haddad, como também a Marta Suplicy. O tucano procurou explorar o passado de Marta no PT, embora hoje a senadora esteja no PMDB, com o objetivo de sinalizar que Marta e Haddad “não possuem diferenças”. Preocupado em não ser visto como um “candidato elitista”, falou da necessidade da prefeitura ser mais eficiente para atender “aos que mais precisam”.

Marta Suplicy (PMDB) adotou no debate um tom crítico em relação a gestão Haddad e também procurou se diferenciar de Doria, criticando supostas propostas do candidato tucano que iria contra as minorias. Porém, suas críticas foram mais “light” que a dos demais candidatos. A estratégia de Marta também procurou dialogar com o eleitor da periferia, onde a senadora preserva um importante capital político. Quando teve seu passado no PT lembrado no debate, sobretudo por Doria, procurou responder afirmando que “aprendeu com seus erros” e pregou a união.

Líder nas pesquisas, mas com pouco tempo de TV no horário eleitoral gratuito, Celso Russomanno (PRB) tem nos debates uma importante oportunidade para apresentar sua mensagem. Como o debate da TV Bandeirantes foi muito concentrado em Haddad, Doria e Marta, o candidato do PRB não teve a exposição que desejava. Porém, ao mesmo tempo, acabou “se livrando” de ataques mais fortes. A estratégia de Russomanno foi criticar a prefeitura, dialogar com a periferia e o eleitor de baixa renda da cidade, e evitar entrar na discussão com os demais candidatos.

Major Olímpio (SD), por sua vez, enfocou suas críticas e propostas na área da segurança pública, seu principal bandeira. Porém, foi bastante agressivo, o que deve ter contribuído pouco para melhorar sua posição nas pesquisas.

O primeiro debate entre os candidatos foi acirrado em alguns momentos. Com o início da campanha eleitoral na TV, a partir da próxima sexta-feira (26), o clima entre eles deve ficar “ainda mais quente”.

Pelo que podemos observar ontem, Fernando Haddad defenderá sua gestão e responderá as críticas para tentar chegar ao segundo turno. Além de Major Olímpio, João Doria Júnior é quem deve adotar uma postura mais crítica em relação ao prefeito e o PT com objetivo de crescer junto ao eleitor mais conservador. Paralelamente a isso, fará “ataques” a Marta já visualizando um possível segundo turno entre ambos.

Por enquanto, Celso Russomanno tende a ser mais propositivo, principalmente se continuar liderando as pesquisas.

Marta Suplicy, ao mesmo tempo em que fará críticas a prefeitura, dialogará com a preferia e defenderá a necessidade de união da cidade. O objetivo da senadora é garantir os votos que historicamente possui e também crescer entre os eleitores que são anti-petistas.

Sem poder participar dos debates e com pouco tempo de TV, Luiza Erundina pode tirar votos de Haddad e Marta à esquerda. Porém, poderá ter dificuldade para crescer e representar uma ameaça maior.

Assim, a eleição em São Paulo começa com embates nos dois lados do tabuleiro. Do centro para esquerda, Haddad, Marta e Erundina disputam a preferência desse segmento do eleitorado. Já do centro para direita, o embate será entre Russomanno e Doria.

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