Quando a presidente Dilma tomou posse para seu primeiro mandato, em 2011, a cotação do dólar era R$ 1,66. A inflação andava pela casa de 5% e a economia deslanchava em bons índices de crescimento. O país desfrutava do grau de investimento concedido pelas três maiores agências especializadas no assunto. Cinco anos depois, o cenário é de terra arrasada. A inflação encostou em 11%, o dólar passou de quatro reais e o crescimento transformou-se em recessão pesada.

Em tempo relativamente curto, a administração Rousseff bateu vários recordes. Colocou a Petrobras e a Eletrobrás em situação de insolvência. A petroleira brasileira vale hoje um quinto de seu valor de tempos atrás. Possui a maior dívida das empresas do setor em todo o mundo. As finanças nacionais também entram nesta vasta coleção de fracassos. O orçamento deste ano prevê déficit de R$ 120 bilhões. Um espanto para o país que foi superavitário.

O desastre é, portanto, de grandes proporções. Não é coisa pequena, nem algo que se possa atribuir ao azar ou a uma conspiração de fatores. Tudo foi criteriosamente planejado dentro da teoria de que o subdesenvolvimento não é obra do acaso. Ele ocorre por decisão soberana de seus autores. Alguém decide que o país melhora quando navega no oceano de atrasos e ideias vencidas. É o velho complexo de vira-lata que supera qualquer expectativa positiva.

Na seara política a confusão é quase tão grande quanto na economia. Ninguém sabe ao certo quem manda no país. É a presidente Dilma ou seu principal conselheiro, o ex-presidente Lula? Ou será Eduardo Cunha? Quem sabe Renan Calheiros? Ou ainda: Michel Temer. Na realidade, nenhum deles consegue empalmar as rédeas do poder. A presidente tem a caneta, mas se curva diante das pressões partidárias ou sindicais. As hesitações são muitas, palpites vêm de diversas origens e nada se decide de maneira definitiva.

A presidente já disse que não elevaria a taxa de juros. Entre sua reeleição e posse a elevou três vezes. Afirmou também ser contra a recriação da CPMF. Agora defende a adoção do imposto sobre o cheque sem cerimônia. É tempo, ao que parece, de restabelecer o mínimo de credibilidade nas declarações oficiais. Neste sentido, o ministro Jaques Wagner, chefe da Casa Civil, surge com uma possível esperança. Ele fala claramente. Disse que o PT se lambuzou na farra de desvios de verbas e farras com os dinheiros de empresas públicas e da publicidade.

Os dirigentes mais antigos do Partido dos Trabalhadores não gostaram. Mas ele também disse que não há coelhos na cartola em matéria de economia. A recuperação será lenta e gradual. Não existem remédios de efeito rápido na farmácia do Palácio do Planalto. Essas falas são importantes, se forem sérias, porque a própria presidente Dilma já admite que “o maior erro foi não ter visto que a crise era tão grande em 2014, não ter visto o tamanho da desaceleração”.

A presidente entende que a instabilidade da economia da China e a seca no país tem peso forte nos problemas internos brasileiros. Ela admitiu os erros e comentou a decisão de consertar a economia. Mas nada disso vai ocorrer se o governo não se concentrar em reduzir despesas e aumentar receitas. Se a economia voltar a caminhar em passos mais largos, os impostos vão pingar mais generosamente nas contas nacionais. E a confiança poderá, ou não, se restabelecer. Difícil é entender as propostas do PT para a recuperação. Dentre elas, está uma que é preciosa: estreitar laços comerciais e financeiros com a China.

Os chineses já são os principais parceiros brasileiros no comércio exterior. Superam os norte-americanos. Investem pesado na América do Sul, Brasil, Venezuela e Argentina em especial, e nos países africanos. Financiam projetos, que envolvem venda de seus produtos industrializados com sua engenharia e, não raro, com mão de obra própria sob suas normas legais. Querer maior presença da China é pretender transformar o país em colônia dos orientais. Não modifica em nada o panorama nacional. E não ajuda na recuperação.

Falar sobre os problemas, tentar estabelecer pontes de entendimento e perseverar nos propósitos anunciados parece ser o melhor caminho. O governo terá que vencer a batalha do impeachment, o que vai provocar mortos e feridos nos vários grupos envolvidos no conflito. E as cicatrizes vão deixar marcas. Não será fácil recomeçar o governo Dilma. Mas se não reconhecer os erros do passado, vai correr o risco de cometê-los novamente.

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