A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos é um evidente choque nas relações internacionais. Para o Brasil, o impacto é significativo, mas bem menor do que será para a Europa, México e países árabes, por exemplo.

Regionalmente, a vitória do bilionário traz incerteza e insegurança para o México e o Caribe, que são mais dependentes da economia norte-americana. Em especial, por disseminar tensão entre imigrantes e turistas.

No nosso caso, apesar de parceiro importante, o Brasil não é completamente dependente da economia americana, além de a relação comercial ser equilibrada. Mesmo o Democrata, partido de Obama, sendo mais simpático ao Brasil, a Casa Branca não liberalizou o mercado para produtos brasileiros como desejado.

O Itamaraty costuma trabalhar melhor com os republicanos, uma vez que suas convicções a respeito da abertura de mercados e menor nível de proteção são mais arraigadas. Além disso, a convivência com os democratas nem sempre foi tranquila.

A ex-presidente Dilma Rousseff foi espionada pela Agência Nacional de Segurança (NSA), um dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, fato responsável por uma crise diplomática que durou dois anos e só foi revertida com a visita de Dilma a Washington, no ano passado.

Em que pese as relações diplomáticas e comerciais terem se tornado mornas, o Brasil tem uma excepcional relação financeira com os Estados Unidos. O Brasil é um grande fornecedor de turistas, ao passo que os Estados Unidos têm relevantes investimentos diretos no Brasil.

Em 2013, os dois países iniciaram negociações visando a isenção de vistos para turistas. No ano passado, o Brasil aproveitou a realização das Olimpíadas e fez um gesto simpático, suspendendo temporariamente a exigência de visto para americanos, japoneses, australianos e canadenses.

Provavelmente, a diplomacia brasileira deve se manter longe da polêmica inicial decorrente da eleição de Trump, até porque nossa posição na lista de prioridades do novo presidente não é relevante.

Ao comentar a vitória de Trump, o Itamaraty lembrou, entretanto, a existência de novas oportunidades mutuamente proveitosas, a serem exploradas entre Brasil e EUA em investimentos, energia, educação, inovação e tecnologia, combate ao crime organizado, transparência e eficiência regulatória, infraestrutura e promoção dos negócios.

Ainda assim, se já não éramos prioritários no campo diplomático para os americanos, continuaremos a ser periféricos. O que, considerando as circunstâncias, é mais conveniente para o país.

Caso a escolha de Trump signifique um afastamento mais agudo dos Estados Unidos na região, a China poderá ampliar sua área de influência, estimulando investimentos em infraestrutura e ampliando o comércio com a região. Fato que pode estimular ainda mais as relações entre o Brasil e a China.

Publicado no Blog do Noblat em 10/11/2016.

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